sexta-feira, 12 de novembro de 2010

12 NOVEMBRO - Morte de AUGUSTO DO ANJOS

AUGUSTO DOS ANJOS - Paraibano, nasceu em 1884 e morreu em 12 de novembro de 1914.
Gosto muito dele, porque foi muito diferente dos seus contemporâneos, quase sempre insossos poetas, românticos e enfadonhos.

Veja que poesia maluca (maluca e bela!).
Isto é só uma amostra do que foi este maravilhoso poeta, ídolo da minha adolescênca e da de tantos outros...
Uma temática pra lá de revolucionária, para a época!


VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

2 comentários:

  1. Adoro este poema!, a ponto de trazê-lo decorado.

    Abraços,

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  2. Um dos melhores poemas! Bom demais!

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